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segunda-feira, 26 de julho de 2010

ANOS 80 - EM BUSCA DA DÉCADA PERDIDA

Por FERNANDA MAYER


A História costuma ser uma rica fonte de inspiração para a moda. Muitas coleções reinventaram roupas e cortes do passado, restaurando estilos, recuperando tradições. Hoje, vemos a moda se debruçar sobre sua própria história, recriando tendências de um passado bem recente.

Na última São Paulo Fashion Week, Alexandre Herchcovitch trouxe referências dos anos 50 na sua coleção com cara de "Bonequinha de Luxo" e a Cavalera, a Londres dos anos 60.
Já a Triton, André Lima e Ricardo Almeida, no Brasil, e Dolce & Gabanna e Gucci, na Itália, fizeram interessantes releituras dos anos 80 em algumas de suas mais recentes coleções.

Claro, recordar é viver, e nós, que ainda nem tínhamos nascido em 1950 e éramos ainda bebês ou simples criancinhas nos 60, resolvemos mergulhar de cabeça na década de 80, quando já podíamos nos considerar participantes desta história.
Passados já 20 anos da "new wave", do surgimento dos yuppies (young urban professionals), da geração saúde e da febre da ginástica aeróbica, devemos agora fazer uma ressalva: nem tudo nos anos 80 foi um mar de rosas, por isso, vamos procurar submeter nossas lembranças ao filtro da memória, trazendo de volta apenas o que ainda parecer significativo aos nossos dias.

Para os economistas, os anos 80 no Brasil são considerados a "década perdida". Paradoxalmente, as roupas procuraram expressar justamente o contrário: alegre, esportiva, versátil, divertida e ao mesmo tempo, sofisticada, sensual e ousada, reflexo, talvez, da abertura democrática.
A ambiguidade foi um traço marcante desta moda: estampas de oncinha, cores cítricas, ombros largos, pernas longas, cortes de cabelo assimétricos e acessórios "fake" conviviam com discretos tailleurs e com roupas de moletom e cotton-lycra recém-saídas das academias.

O surgimento de novos tecidos, como o stretch, dava um ar futurista às roupas, mas, ao mesmo tempo, muitas de nós voltaram ao armário da vovó, promovendo a onda dos brechós.
Tudo é experimentação, inovação e transformação. Até na alta-costura, em que se destacaram Christian Lacroix, Karl Lagerfeld e Jean Paul Gaultier, com suas criações arrojadas, tudo era meio barroco, exuberante e dramático.

O outro lado da moeda foram os estilistas japoneses - Yohji Yamamoto e Rei Kawakubo - com roupas de uma simplicidade lírica e desconcertante perto de tanto exagero.
Já o estilista italiano Giorgio Armani, que em 1981 lançou a sua grife Emporio Armani, garantiu com seus cortes sóbrios e impecáveis a elegância de homens e mulheres de negócios nos anos vindouros.

No universo musical, uma infinidade de bandas surgiram na década, com as mais diversas tendências: new romantics, darks, góticos, metaleiros e rastafaris. Ao contrário das passarelas, o tom da música pop era mais melancólico, representado por bandas como Joy Division, Echo and The Bunnyman, The Smiths e The Cure, entre outras.
A música, assim como o cinema, foi um importante meio para a difusão das modas, especialmente pela transmissão dos videoclipes, unindo o som à imagem. Filmes como "Blade Runner" (1982) reafirmaram e divulgaram algumas das tendências mais fortes da moda, servindo também de trampolim para astros da música, como Madonna em "Procura-se Susan Desesperadamente" (1985).
A afirmação da idéia da imagem como meio de comunicação se cristalizou nos 80, quando o corpo se tornou uma vitrine de tudo o que viesse à própria cabeça. A partir de então, quando alguém nos perguntava a respeito de moda, o que começamos a responder foi: "sou eu que faço a minha moda".

Este conceito está presente até hoje, na costumização-mania, na mistura de estilos e até na própria negação da moda enquanto norma, presente em movimentos como o "grunge", no início dos anos 90.
A releitura de antigos clichês, a exploração das ambiguidades, a reflexão sobre conceitos como bom gosto e mau gosto, assim como a mistura de tendências a partir dos anos 80, provaram que todos os limites são relativos e que a moda não é mais que a projeção de nossos sonhos, idéias e aspirações, e que, afinal, tudo é mesmo possível no mundo da criação.

Não resistimos e fizemos uma lista de algumas coisas ótimas e outras nem tanto que são a cara dos 80. Esperamos que os que viveram a "década perdida" e também os que nunca compraram um vinil na vida se divirtam conosco. Boas recordações!!!


QUEM NÃO SE LEMBRA?
-Calça baggy e semi-baggy
-Sandália de plástico (Melissinhas em geral)
-Ombreiras (tinha até sutiã de ombreira)
-Manga morcego
-Saia balonê
-Legging
-Batom 24 horas (não saía da boca nem com sabão)
-Scarpin
-Cores ácidas
-Mochilas e carteiras emborrachadas
-Tule no cabelo
-Faixas na testa
-Gola canoa
-Gel "New Wave"
-Polainas
-Walkman Sony amarelo
-Atari
-Pastilhas Supra-Sumo
-Balas Soft
-Cubo Mágico
-Mobilete
-Lolo (atual Milkybar)
-Cabelos assimétricos
-Rock in Rio
-Relógio Champion (aquele que trocava as pulseiras)
-Tênis iate (tinha um da OP quadriculado que era uma febre)
-Tênis All Star (de todas as cores imagináveis)
-kichute
-Franja repicada

Quem Brilhou?
Boy George
-Madonna
-Menudo
-Cindy Lauper
-Michael Jackson
-Lady Di
-Duran Duran
-U2
-Depeche Mode
-New Order
-Pet Shop Boys
-Information Society
-A-Ha
-The Smiths
-Prince
-B52
-Falco
-The Cult
-Billy Idol
-Noel
-Man at Work
-Fred Mercury (no Queen)
-George Michael (no Wham!)
-The Police
-Barão Vermelho (com Cazuza)
-The Cure
-Simple Minds
-Dire Straits
-Lionel Richie
-Bryan Ferry
-Steve Wonder
-Kim Bassinger
-Daryl Hanna
-Nastassja Kinski
-Isabelle Adjani
-Ultraje a Rigor
-RPM
-Magazine
-Kid Abelha e os Abóboras Selvagens
-Gang 90
-Blitz
-Guilherme Arantes
-Sempre Livre
-Metrô
-Ritchie
-Dalto
-Ronaldo Resedá
-Rádio Táxi
-Roupa Nova
-Viúva Porcina
-Xuxa
-A Turma do Balão Mágico
-He-Man
-Lulu Santos
-Marina
-Zero
-Ira!
-Titãs
-Paralamas do Sucesso
-Lobão
-Doris Giesse
-Luíza Brunet
-Monique Evans
-Cláudia Liz

sábado, 24 de julho de 2010

Caverna do Dragão




Caverna do dragão ,é uma famosa série dos EUA produzida pela Marvel.
A série tem 27 episódios ,e todos foram exibidos originalmente de 1983 á 1986.Nos Estados Unidos foram transmitidos pela rede norte-americana de televisão CBS .E no Brasil pela famosa Rede Globo.A abertura da primeira série mostra os personagens principais(um grupo de adolescentes)num parque de diversões ,entrando em uma montanha russa,que se chama Dungeons & Dragons.Durante o passeio,um portal(=0oooooh)se abre e o carrinho onde essa turma esta...é transportado para outro mundo.Um mundo mágico.Onde eles misteriosamente aparecem com outras roupas ,e recebem armas mágicas de um anão
velho ,que se chama Mestre dos Magos.A partir daí,eles passam por um monte de aventuras em busca de uma forma de voltar para casa, nas quais o Vingador, um mago maléfico, tenta a todo custo tomar as armas mágicas dos jovens com a intenção de destruir o Mestre dos Magos e tomar todo o reino.
Os personagens principais são:





1- Hank, o arqueiro e líder do grupo, mas ele não lança flechas comuns, ele lança raios de energia !
2- Eric, o Principe Eric, ele é um guerreiro mas é medroso e um tanto mesquinho, usa um escudo
3- Diana, a acrobata, com seu bastão mágico que aumenta e diminui, ela faz saltos e ela é a líder quando Hank está ocupado
4- Presto, ele é o mago que teve como mestre nada mais, nada menos que : Merlin !,mas isso não garante que Presto seja tão certeiro como seu tutor, seus feitiços, que são criados dentro de seu chapéu e com a recitação de palavras mágicas, parecem sempre dar errado =/ Além disso ele usa óculos totalmente necessário, pois quando não está com eles fica totalmente atordoado
5- Sheila, ela é a irmã mais velha de Bob, pode se dizer que ela é uma espécie de espiã, por que sua touca mágica a deixa invisivel
6- Bob, Bob é um garotinho, o mais novo do grupo, mas não se deixe levar pelo seu tamanho, ele é um barbaro e com seu 'martelo', luta muito !
7- Uni, ela é uma filhote de unicórnio, está sempre acompanhando os guerreiros em sua jornada por ter se tornado uma mascote, em especial por Bobby que já faz tudo por ela !

Princesa dos Cabelos Mágicos



Cabelos Mágicos é a princesa do Reino dos Cabelos Mágicos. Ela cuida de todos os súditos e do que acontece em seu reino, incluindo as forças da natureza! O reino literalmente seria destruído sem a presença dela, já que tempestades viriam sobre o reino e matariam as pessoas de fome. Cabelos Mágicos sempre tem que estar atenta as tentativas da Duquesa Negrura de obter uma mecha de seus cabelos mágicos e assim assumir o reino, mas Cabelos Mágicos tem um herói misterioso que sempre aparece a tempo de salvá-la e desaparece antes dela dar uma boa olhada nele ou descobrir quem ele é. Os feixes mágicos de seu cabelo foram dadas a ela para simbolizar seus direitos de princesa: a mecha rosa foi dado pela Aurora, o dourado pelo Sol e a lavanda pelo Crepúsculo. Esses feixes de cabelos mágicos a permitem chamar as simpáticas criaturinhas da floresta chamadas Floquinhos Mágicos, que possuem todos os segredos dos cabelos mágicos. Desta forma, eles ajudam Cabelos Mágicos a manter seu reino tão bonito quanto é possível.

Direção de Bernard Deyriès e Roteiro de Jack Olesker, Howard R. Cohen, Phil Harnage e Susan J. Leslie, com as vozes de Jeannie Elias e Stevie Vallance

Cavalo de Fogo - Abertura


O Inicio: Cavalo de Fogo foi um desenho produzido por Hanna-Barbera, estralando de setembro de 1986 a setembro de 1987, CBS

Sara Cavanaugh, 13 anos, é uma menina normal, como qualquer outra de sua idade. Gosta de brincar como uma criança mas, aos poucos, as responsabilidades de mulher vão entrando de vez em sua vida. Ainda um bebê, ela foi deixada na porta da casa do humilde fazendeiro John Cavanaugh, que a criou como se fosse uma filha verdadeira em seu rancho, em Montana, nos EUA. A única pista de quem poderia ter abandonado a menina reside num estranho medalhão que ela carrega com orgulho no pescoço.

Mas (momento de tensão dramática)... eis que, certo dia, Sara é abordada por um belíssimo cavalo de crina vermelha, que por algum motivo surgiu saltando de um buraco de energia no meio do céu. Como se não bastasse estranheza suficiente, o bicho ainda resolveu falar com a assustada loirinha! Sim, ele falava nossa língua!!! Apresentando-se como Cavalo de Fogo, o imponente animal revelou toda a história: Sara é, na verdade, a Princesa Sara, herdeira do trono de um reino de outra dimensão chamado Dar-Shan. Outrora um oásis de harmonia e felicidade, Dar-Shan era governado por sua mãe, a bondosa Rainha Sarana, que estabelecia a paz entre humanos, cavalos e todos os outros seres. Mas a terrível irmã de Sarana, Diabolyn, era muito ambiciosa e, num golpe para tomar o trono, lançou secretamente um feitiço sobre a governante de Dar-Shan. Às portas da morte, ela ordenou ao seu fiel escudeiro, o Cavalo de Fogo, que levasse a pequena Sara para a segurança, livrando-a do feitiço e permitindo que ela pudesse crescer normalmente.

Com o poder de atravessar as dimensões, o animal a levou para a Terra e... bingo! Ela acabou sendo criada durante 13 anos sem o menor conhecimento de sua história e do trágico destino de sua mãe e de seu reino de origem. Sua única herança? O medalhão que a avisa que o Cavalo de Fogo se aproxima... e a coragem para lutar pelo povo que depende dela para escapar da tirania da terrível Diabolyn.

Rock Brasil - Anos 80


O começo dos anos 80 não foi nada propício para o rock.


O que dominava era a MPB de FM, e apesar da relativa abertura política, a sombra da repressão e a censura desanimavam que tentava ser mais ousados.

O "som jovem" que rolava era o pop-rock de gente como Guilherme Arantes, Marina, Ney Matogrosso, 14 Bis, Eduardo Dusek, Baby Consuelo, Pepeu Gomes, A Cor do Som e Rádio Táxi.

Mas ainda assim a rapaziada queria que temas como amor, diversão, trabalho e família fossem tratados de forma mais clara.

Com o rock básico e os cabelos curtos e espetados da new wave, o Rock Brasil começa a se renovar no início da década.

Ligado nas novidades, o jornalista e discotecário Júlio Barroso fundou a Gang 90 & As Absurdetes, no Rio de Janeiro.

O estouro aconteceu no Festival Shell de MPB de 1981, quando tocaram "Perdidos na Selva", um reggae que fala de um acidente de avião com final feliz.

Era só uma mostra do que estaria por vir nos próximos anos. Seguindo os mesmo passos da Gang 90, o integrante do grupo de teatro carioca Asbrúbal Trouxe a Irreverência, Evandro Mesquita, junto com o baterista Lobão, tiveram a idéia de montar uma banda de rock teatral.

O nome da banda foi dado por Lobão: Blitz, já que eles sempre eram parados pelas batidas policiais.

A banda trouxe junto ao humor praieiro do grupo Asdrúbal um rock básico e uma dupla de belas vocalistas, Márcia Bulcão e Fernanda Abreu.

No verão de 1982 abriu na praia do Arpoador um espaço para shows: o Circo Voador, aonde a banda se apresentou inúmeras vezes.

Em junho do mesmo ano, a Blitz gravou um compacto com a música "Você Não Soube Me Amar", que vendeu 100 mil cópias em 3 meses.

Em setembro foi lançado o disco "As Aventuras da Blitz", o que transformou a banda em fenômeno nacional, mas um pouco depois do lançamento do disco, Lobão deixa a banda para lançar seu primeiro disco solo, "Cena de Cinema", aonde começa uma das mais importantes carreiras do rock brasileiro, de um artista sempre inconformista.

Ainda em 1982 apareceriam outros artistas de relevância do Rock Brasil, com o Eduardo Dusek com seu disco "Cantando no Banheiro", que contava com a participação de uma banda carioca que fazia um rock estilo anos 50 com muito bom humor: João Penca & Seus Miquinhos Amestrados, que tinha entre seus integrantes um excelente compositor, Léo Jaime, que escreveu o sucesso do disco, "Rock da Cachorra". João Penca seguiria depois sem Dusek e sem Léo Jaime, que fez uma carreira solo de sucesso. No mesmo ano ainda surgiria Lulu Santos, Barão Vermelho (que não foi tão bem acolhido na época) e a Rádio Fluminense, grande divulgadora das fitas e dos discos dos artistas do rock nacional. Paralelamente, em São Paulo, ocorria o festival "O Começo do Fim do Mundo", com bandas punk como Inocentes, Ratos de Porão, Cólera e Olho Seco. Em 1983, o rock já havia ganho seu espaço na Música Popular Brasileira (MPB), fazendo com que as gravadoras perdessem o medo de contratar bandas deste gênero. Foi lançado o disco "Rock Voador" (parceria do Circo Voador com a rádio Fluminense), que revelou o Kid Abelha e Seus Abóboras Selvagens.

Uma das bandas que tinha sua fita divulgada na rádio, Os Paralamas do Sucesso, gravaram um compacto que, com seu relativo sucesso, levou a gravar no fim do ano seu primeiro disco, "Cinema Mudo". Mas quem arrebentaria um sucesso naquele ano foi um inglês, chamado Ritchie, com a música "Menina Veneno", cujo compactoo vendeu mais de 800 mil cópias, levando o cantor a gravar um disco, Vôo de Coração, que vendeu mais de 1 milhão de cópias, batendo naquele ano até o grande recordista de vendas da gravadora, Roberto Carlos. O Rock Brasil ganhava respeito comercial. Fenômeno predominando o Rio de Janeiro, o rock começa a ferver também em São Paulo em 83. A cidade já estava sendo sacudida pelos punks e também pela música de vanguarda (Arrigo Barnabé, Premeditando o Breque, Língua de Trapo), revelou uma das grandes bandas do rock brasileiro: os Titãs, um octeto que misturava new-wave e tropicalismo com o rock e ficava cada vez mais popular.

Ainda tinha bandas do rock paulistano como Magazine (tendo Kid Vinil como um dos integrantes), o pós-punk Ira! e a irreverência do Ultraje a Rigor. 1984 foi o ano de grandes lançamentos em disco. "Titãs" (seu primeiro disco), "Seu Espião" (estréia do Kid Abelha), "O Passo do Lui" (segundo disco dos Paralamas), "Tudo Azul" (Lulu Santos), "Ronaldo Foi Pra Guerra" (Lobão), "Maior Abandonado" (último disco do Barão com o vocalista Cazuza) e "Phodas 'C'" (Léo Jaime).

As bandas cada vez mais apareciam em programas de auditório na TV e até no cinema, com o filme "Bete Balanço", com música-tema do Barão Vermelho. Se até então o Rock Brasil tinha uma cara romântica e idealista, iria mudar apartir de janeiro de 1985, graças a um evento: o Rock In Rio 10 dias de muito som num terreno na Barra da Tijuca, no maior concerto de rock de todos os tempos, com um público aproximado de 1 milhão e meio de pessoas. Ao lado de grandes nomes da música mundial da época, como Queen, Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Scorpions, Yes, AC/DC, entre outros, estavam artistas consgrados da MPB e a nova rapaziada: Blitz, Barão Vermelho, Os Paralamas do Sucesso, Lulu Santos e Kid Abelha. No maior palco de suas carreiras iniciantes, as bandas não tremeram na base. O resultado foi que o rock entrou de vez na música brasileira, as bandas internacionais incluíram o Brasil em suas turnês e os nossos roqueiros aprenderam muito com verdadeiros profissionais da música. O jovem público viu as bandas nacionais fazerem bonito junto aos ídolos estrangeiros e ainda presenciaram a eleição de Tancredo Neves como o primeiro presidente civil do país desde o golpe militar de 1964. O Rock Brasil emergiu desde então, com um jeito ousado, contestador e geograficamente disperso. De São Paulo apareceu dois dos maiores êxitos comerciais do ano. Um deles, "Nós Vamos Invadir Sua Praia", álbum de estréia do Ultraje a Rigor, que tinha a música "Inútil", que foi tocada pelos Paralamas no Rock In Rio e comentada pelo senhor Diretas Já Ulysses Guimarães, causou um certo comentário sobre sua letra. Quase todas as músicas foram sucesso no rádio.

O outro êxito foi o RPM, com a música "Louras Geladas" estourada nas rádios, lançou o disco "Revoluções Por Minuto", que teve várias outras faixas de sucesso. O empresário Manoel Poladian foi responsável por uma super produção para a banda: o show "Rádio Pirata". Nunca se havia visto nada igual no Brasil: efeitos de raio laser, gelo seco e sofisticado equipamento de som. O show percorreu o Brasil, aumentando cada vez mais a popularidade do grupo, que foi forçado pela gravadora a gravar um álbum ao vivo, com a versão de "London, London" (de Caetano Veloso) que já começava a tocar nas rádios. Lançado em 1986, "Rádio Pirata Ao Vivo", tornou-se o recordista de venda de todos os gêneros no Brasil: 2,2 milhões de cópias. Em pouco tempo, com toda a pressão de sua popularidade e o uso abusivo de drogas, o grupo gravou mais 1 álbum e acabou sem muito alarde em 1989. Em 1º de Janeiro de 1985, uma banda de Brasília lançava seu disco de estréia - um disco que marcaria a história do nosso rock. Legião Urbana mostrava ao país a poesia de Renato Russo, em letras que mostrava os anseios, medos e reivindicações de uma geração.

Conhecida pela música Química (que os amigos Paralamas gravaram em seu primeiro álbum), a Legião ganhou o público com aquele disco cheio de energia rock´n´roll e sentimentos à flor da pele. Era a primeira das bandas de Brasília influenciada pelo punk-rock, que tomariam conta da mídia. As outras foram Capital Inicial e a Plebe Rude. Também de origem punk e fora do eixo Rio-São Paulo, os baianos do Camisa de Vênus, liderada por Marcelo Nova, apareceriam em 1985. Depois de um álbum sem repercussão, ganharam seu lugar com o som "Eu Não Matei Joana D´arc". Depois disto o país chegou a conhecer outras músicas como "Bete Morreu" e o "Adventistas", de seu álbum anterior. Em São Paulo, os ecos do punk seriam responsáveis por uma outra banda de talento a aparecer, com seu álbum de estréia, Mudança de Comportamento: o Ira!, do guitarrista Edgard Scandurra (um dos melhores do Brasil até hoje) e o vocalista Nasi.

Enquato isso o underground paulistano fervia, com bandas inspiradas no pop-rock inglês.

Luiz Calanca lançou neste mesmo ano o selo Baratos Afins, que lançou os discos de todo esse underground paulistano, antecipando em pelo menos 10 anos a realidade dos pequenos selos que ajudaram a fazer o rock alternativo um fenômeno. No Rio de Janeiro, houve uma separação no Barão Vermelho, saindo Cazuza para sua bem sucedida carreira solo, e o guitarrista Roberto Frejat assumindo os vocais.

Tivemos ainda no Rio o lançamento de excelentes disco. "Sessão da Tarde", de Léo Jaime, que voltava ao rock dos anos 50 e à Jovem Guarda; "Educação Sentimental", segundo disco do Kid Abelha e no fim do ano o disco-solo de Cazuza. 1986 foi o ano da consolidação artística e da fartura de lançamentos. Graças ao Plano Cruzado e a explosão de consumo que ele causou, as gravadoras contratavam qualquer banda que cheirasse a rock. A coletânea "Rock Grande do Sul", só com bandas de Porto Alegre revelou os Engenheiros do Hawaii, que no mesmo ano lançou seu disco de estréia com o irônico título "Longe Demais das Capitais". E com a música "Surfista Calhorda", Os Replicantes com influência punk-hardcore, lançaram seu disco: "O Futuro é Vortex". Também estrearam naquele ano os cariocas do Biquíni Cavadão ("Cidades em Torrente"), a Plebe Rude ("O Concreto Já Rachou"), Capital Inicial ("Capital Inicial") e os Inocentes ("Pânico em SP", primeiro disco do punk brasileiro a sair por uma grande gravadora).

Três álbuns marcaram naquele ano o Rock Brasil até hoje. Com "Selvagem?", os Paralamas fizeram uma ousada conexão Brasil-Jamaica-Inglaterra-África via música negra. "Dois", disco da Legião revelou-se mais lírico e acústico, com faixas que até hoje fazem a história da banda. Finalmente, "Cabeça Dinossauro", dos Titãs (que recentemente foi considerado o melhor disco do Rock Brasil), que deram uma guinada punk em sua música, que mais pareceria um risco, mas que deu bons resultados artisticos e comerciais para a banda. A boa fase do rock nacional continuaria em 1987, com a explosão de Lobão (com o LP "Vida Bandida") e outros álbuns. "A Revolta dos Dândis" (Engenheiros), "Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas" (Titãs), "Que País é Este" (Legião) e "Sexo!" (Ultraje a Rigor). Houve a surpresa com o aparecimento do carioca Fausto Fawcett e seus Robos Efêmeros, com "Kátia Flavia". Outra surpresa foi o selo Plug, da RCA, que apostou em discos de novíssimos nomes do rock brasileiro que não faziam nada parecido com as outras bandas.

Estrearam os cariocas Picassos Falsos e Hojerizah, o paulistano Violeta de Outono, os gaúchos do De Falla, TNT e o Nenhum de Nós, entre outros. Das raras exceções que deram certo, está o Nenhum de Nós, que estourou com a música "Camila, Camila", e depois em 1989, com "O Astronauta de Mármore", versão de "Starman" de David Bowie. De 1988 em diante, o Rock Brasil passa por um período de baixa, com as bandas com dificuldades para recuperar as baixas vendagens e execução. Mas mesmo assim, existe discos clássicos desta época. "Ideologia", de Cazuza, que já luta contra a Aids, e aos 16 anos de idade, Ed Motta chega com pinta de veterano, injetando soul no rock nacional, com seu disco de estréia com a Conexão Japeri. A Legião experimentou um sucesso estrondoso com "Faroeste Caboclo" naquele ano, mas viu o inverso da moeda num show em 18 de junho, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Confusão total, com Renato Russo sendo atacado por um fã no palco e a polícia descendo o pau na platéia, que saiu revoltado do show(que foi interrompido).

O incidente bateu forte na Legião que ainda teve a perda do baixista Negrete, que deixou a banda, mas mesmo assim, em 1989, finalizou seu quarto disco, "As Quatro Estações", com a maior vendagem em disco da banda e a maior nos últimos anos do Rock Brasil. Em 7 julho de 1989, o clima era de luto: Cazuza havia morrido e em 21 de agosto do mesmo ano, morreria Raul Seixas. Era o fim de uma era do Rock Brasil.


Blitz
Um dos maiores fenômenos de venda de discos do início da década de 1980, foi o primeiro grande estouro da década de 1980 que, com apenas quatro anos de existência (1982-1986) e três discos, mudou o cenário da música popular brasileira, abrindo os caminhos que em seguida seriam percorridos por toda uma geração de bandas brasileiras, todas elas fortemente ligados ao gênero rock.

Suas músicas leves e dançantes contavam verdadeiras crônicas da juventude dourada da Zona Sul do Rio de Janeiro, que eram apresentadas nos seus shows, sempre superlotados, com a característica teatralidade do grupo, do qual faziam parte alguns dos maiores nomes do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, que dominou a cena teatral carioca na década de 1970. Entre os seus integrantes, figuravam Evandro Mesquita(sua música Você não soube me amar, de 1982, é sucesso nacional.), Fernanda Abreu e Lobão, que posteriormente iniciaram bem-sucedidas carreiras solo.



Titãs
Apareceu no cenário pop com oito integrantes: Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer, Antônio Carlos Liberati Belotto, Paulo Roberto de Souza Miklos, José Fernando Gomes dos Reis , Ciro Pessoa, Sérgio de Britto Álvares Affonso, Joaquim Cláudio Correia de Mello Júnior e André Jungman, formada em São Paulo, o nome de Titãs do Iê-iê-iê e uma estética muito influenciada pela chamada new wave, com muita mise-en-scène, roupas coloridas e letras leves como a de Sonífera ilha. Ciro Pessoa sai da banda em 1984 e forma o grupo Cabine C. No ano seguinte o baterista André Jung transfere-se para a banda Ira!, dando lugar a Charles Gavin. Arnaldo Antunes desliga-se em 1992 para seguir carreira solo.

Em 1984 lançam o primeiro disco pela Warner, já com o nome definitivo Titãs. Ao longo de sua trajetória a sonoridade do grupo alternou entre o rock básico, o som mais pesado da década de 80 e o flerte com o pop na década de 90.

O segundo disco da banda, Televisão, foi apenas um prenúncio da contundente postura que seus integrantes iriam adotar a partir do vigoroso Cabeça dinossauro, no qual começaram a utilizar guitarras distorcidas, beats tribais e eletrônicos e letras de uma contundência poucas vezes vista na história da MPB, nas quais fazem ácidas críticas a todas as instituições da sociedade burguesa. O disco seguinte, de 1986, acrescenta peso às composições e aos arranjos. Vieram, em seguida, Jesus não tem dentes no país dos banguelas, Go back, Õ blésq blom, Tudo ao mesmo tempo agora e Titanomaquia, nos quais foram radicalizando cada vez mais tal postura, chegando a um ponto de cansar o seu até então fiel público. Em 1994, resolveram rever o trabalho que vinham fazendo até então, lançando Um dois. O sucesso maior foi em 1997, com o lançamento do Acústico MTV, um álbum com releituras dos maiores êxitos em quinze anos de carreira (com algumas inéditas), que atingiu quase dois milhões de cópias vendidas. Volume II, lançado no ano seguinte, repete a fórmula do Acústico, incluindo sucessos que não entraram no disco anterior, mas não alcança o mesmo resultado. As Dez Mais (1999) é o último álbum lançado pela Warner, com repertório composto por versões para músicas de outros autores. Voltam a se reunir em junho de 2001 para a gravação de um novo disco, mas dias antes um acidente vitima fatalmente o guitarrista Marcelo Fromer. Outro fato marcante foi a saída de Nando Reis no final de 2002.


Barão Vermelho
Cazuza é considerado o principal letrista da geração anos 80 do rock brasileiro. Integra o grupo Barão Vermelho, responsável por sucessos como Bete balanço, Maior abandonado e Codinome beija-flor. Seu principal parceiro é Roberto Frejat, guitarrista que permanece à frente do Barão Vermelho. Descobre ter Aids em 1987, mas não se deixa abater pela doença, prosseguindo suas atividades artísticas. A maneira como resiste, até morrer, contribui em muito para derrubar os preconceitos que envolvem portadores de HIV. O Tempo não pára, seu último sucesso, foi gravado ao vivo em 1988.

O Barão Vermelho interrompeu o trabalho de composição e fez o disco Álbum, no qual visitou velhos sucessos de Rita Lee, Luís Melodia e Ângela Ro Ro, entre outros grandes nomes de um passado recente da MPB.



Paralamas do Sucesso
Paralamas do Sucesso, grupo de rock brasileiro formado pelo guitarrista e vocalista Herbert Vianna, pelo baixista Bi Ribeiro e pelo baterista João Barone. Surgiu em 1982 com a despretensiosa Vital e sua moto, executada com freqüência na hoje extinta Rádio Fluminense FM do Rio de Janeiro, um dos principais berços da geração de bandas de rock. Chamaram a atenção da gravadora EMI, pela qual lançaram Cinema mudo (1983) e Passo do Lui (1984). A consagração só veio com Selvagem, em 1986, a partir do qual começou a tomar forma a eclética sonoridade do grupo, que mescla os ricos ritmos brasileiros como o ska, o reggae e o rock. O sucesso desse trabalho levou a banda para o festival de Montreux, onde gravou ao vivo o álbum D, que, no entanto, não foi lançado comercialmente.

Em 1989, foi realizado Big-bang, considerado pela crítica o melhor trabalho da banda. Nele, gravaram obras-primas como Lanterna dos afogados ("Uma noite longa pra uma vida curta"). A partir de 1991, começaram a trabalhar o público latino-americano e o sucesso foi tão grande que justificou a versão para o espanhol de dez sucessos da banda em um CD que chegou a vender mais de 1 milhão de cópias em dez países.


Legião Urbana
Em meados de 1980, Renato Russo formou uma banda chamada Aborto Elétrico, começou no baixo e logo passou para a guitarra. Com o fim do Aborto Elétrico, Renato intitulou-se O Trovador Solitário e, com um violão, tocava abrindo shows de outros grupos locais e apresentando novas composições, como "Faroeste Caboclo". Mas Renato não queria seguir sozinho. Ele achava que era importante ter uma banda no mundo do rock. Nesse mesmo ano Renato formou a Legião Urbana.

As primeiras formações do Legião contam ainda com Paulo Paulista (teclados), Eduardo Paraná (guitarra), substituído por Ico Ouro-Preto, e Marcelo Bonfá, na bateria. Em 1983, o guitarrista Dado Villa-Lobos entra no lugar de Ouro-Preto e cristaliza com um trio (Dado, Bonfá e Russo) a formação clássica da banda. O baixista Renato Rocha "Negrete" participa de shows e da gravação dos três primeiros discos. Já em 1983 o grupo se apresenta fora de Brasília, com grande sucesso graças ao compacto Será (1984). Ao longo da década consolida-se como uma das mais importantes bandas no cenário do rock brasileiro, e acumula sucessos como Eduardo e Mônica, Que País É Este, Pais e Filhos, Meninos e Meninas, Faroeste Caboclo e Quando o Sol Bater na Janela do Seu Quarto. A banda termina em 1996, com a morte do vocalista e principal compositor, Renato Russo, em decorrência de Aids. Marcelo Bonfá segue carreira solo e Dado Villa-Lobos é dono de uma gravadora, a RockIt.


Autor: Desconhecido
Caso Alguém conheça o autor por favor informar, pois terei o grande prazer de dar os devidos créditos.

Tudo de bom nos anos 80

Por Roger dos Santos *

Recordar as memórias da infância e da adolescência é, com certeza, algo muito prazeroso. Relembrar momentos de nossas vidas que ativem na memória lembranças de como nos divertíamos quando jogávamos vídeo-game ou que fantástico é, ao ouvir aquela música dos anos 80, lembrarmos do primeiro beijo, da primeira namorada, de quando nosso time foi campeão, ou enfim, daquele seriado de TV que marcou a fase mais inocente da vida.

A respeito dos anos 80 não é curioso como esta fase de nossas vidas, e automaticamente do mundo está vindo à tona agora?

A TV de hoje mostra seriados dos anos 80, as rádios reproduzem músicas do mesmo período, diga-se de passagem, auge do POP/Rock mundial. No cinema, vemos um recrudescer dos mitos de antigamente, como Homem-Aranha, Batman (que estréia na telona agora, junho de 2005) e até o Super Homem dará o ar de sua graça ainda este ano. Todo este pacote além do superconsagrado Star Wars, de George Lucas. Para falarmos da mídia impressa, temos como ícone da nostalgia a revista Flashback e no relançamento literário-cinematográfico "O Senhor dos anéis", há décadas esquecido nas prateleiras e que ressurgiu como uma verdadeira avalanche nas platéias e escrivaninhas mundo a fora.

Analisemos todas estas delícias para nossa memória. Para que isto está servindo? Diariamente somos bombardeados por toneladas de informação, seja útil, seja fútil, somos acondicionados a receber tudo aquilo que está a nossa volta. Para o leitor mais desavisado, leia-se alienado, tudo aquilo que está ligado a alguma imagem que remeta ao prazer será tido como primordial. Atualmente estamos assistindo a fatos que, embora sejam de suma importância na política, na religião, nas forças armadas, enfim, em tudo aquilo que de alguma forma modela a sociedade, vemos as pessoas mais interessadas em saber quem será a próxima modelo a aparecer no comercial de cerveja do que quais as propostas para sua vida e de todo mundo em geral.

Estamos de fato na era do entretenimento, o que para corroborar esta afirmação, temos "O Exterminador do Futuro" como governador da Califórnia. Nos anos 80 outro ator chegou ao posto de político, Ronald Reagan, presidente dos Estados Unidos da América. Para se olhar no final do século XX, nos anos 90 sobre a questão do entretenimento, a mega empresa de games, Nintendo, chegou a comprar um time de futebol onde a estrela era nada menos que Diego Maradona.

A "Era do Desmoronamento" citada por Hobsbawn em seu "Era dos Extremos" onde o mundo de então se desmoronava para uma nova proposta desconhecida para aqueles intelectuais de início dos anos 1990 serviu como uma obra balizadora na época na qual, em seu final, ficou a pergunta de para onde estávamos indo. O certo é que chegamos até aqui, permeando conflitos sociais, guerras internacionais, violência, enfim, um sem número de dificuldades vivido pela gente comum da cidade, anônima, que briga com as dificuldades para pagar suas contas e garantir o alimento na mesa, realidade completamente oposta da vivida por uma minoria, cerca de 5000 famílias que detém algo em torno de 40% do PIB brasileiro e com certeza não abrirão mão de tal posição como mostrado pela revista REPORTAGEM (nº 61, out/2004).

Como dizia Marx, a história nunca se repete, pois da primeira vez se dá como tragédia e na segunda, como farsa. Calcado nesta hipótese de farsa é que se lança este discurso a respeito de nossa realidade que se tenta distorcer pelas saborosas lembranças dos saudosos anos 80, onde que pra falarmos do Brasil, tivemos a visita do Papa em 1980, vivemos a redemocratização política, vimos à rainha dos baixinhos aparecer (servindo também de consolo para milhões de altinhos). Foi nos anos 80 que o povo brasileiro viu nascer um novo concorrente para a poderosa rede Globo, a TVS, futura SBT, que sob a batuta de seu proprietário, Sílvio Santos, arrebatou para si, pontos valiosos na escala do IBOPE e que, em fins da década de 80, realizava todos os sonhos desta gente sofrida através de suas "Portas da Esperança". Foi nesta famigerada década que o Brasil não galgou nenhuma copa do mundo, mas encontrou nas pistas da Fórmula 1 seu herói, um piloto de automóvel que sempre aos domingos fazia os torcedores esquecerem de uma inflação avassaladora e ao final de cada grande prêmio (ao menos grande parte deles) deixar o povo em verdadeiro deliro, crente de ali, enfiado naquele bólido, corria mais um brasileiro. Ayrton Senna se configurou como o grande herói que os construtores da República almejavam naquele final de século XIX como mostra José Murilo de Carvalho em seu "A Formação das Almas". Assim, como mostra Sérgio Buarque de Holanda em seu "Raízes do Brasil" ter saudade de uma época tão conturbada como a de hoje não faz muito sentido, porque já em nossas raízes, a desigualdade era tão eminente quanto agora. A diferença do ontem e do hoje é que éramos crianças e não sabíamos de nada disso.

A geração que está fazendo o país acontecer hoje foi criança ou adolescente nesta chamada saudosa época, onde se jogava Atari, Genius, Playmobil, Barbie, enfim, todas estas ferramentas de mercado que conjugadas a fantásticas estratégias de marketing fizeram a cabeça e o coração de meninos e meninas (e na maioria da sociedade brasileira, a insônia de tantos pais). E tudo isto aflora agora, num momento em que o mundo vê a transição Papal, de um Papa chamado mundialmente como o "Papa da Paz" para um outro membro do clero reconhecido por sua "religiosidade conservadoramente linha dura". Na outra ponta o mundo viu o famoso líder do movimento pela criação do estado palestino, Yasser Arafat, chegar ao seu fim. Some a tudo isto, duas guerras no Oriente Médio ministradas pelos democráticos Estados Unidos, sem falar nas questões de corrupção política que são constantes no Brasil e no mundo desde sempre. Todas estas questões de suma importância para os desdobramentos do mundo, infelizmente passam a margem do interesse popular. Tão contundentes quanto os exemplos já citados, temos a questão das drogas e o problema da água, que segundo os cientistas declaram, entrará em racionamento mundial dentro de duas ou três décadas.

O estudo da história torna-se fantástico quando pensamos na dominação da sociedade na já no remoto Império Romano, onde a política do pão e circo era recurso de governo para conter as massas. Após o domínio do Império romano veio a dominação, por toda a Idade Média, da Igreja Católica romana, que com fez pesar sua misericordiosa mão em todo aquele que beirasse a heresia. Num estado mais adiantado, veio a Revolução Francesa que pregava igualdade, fraternidade e liberdade - entre os juridicamente iguais e não equalizando todas as camadas da sociedade. Este é o reflexo do mundo até hoje. A péssima distribuição iguala o Brasil a sofrida Serra Leoa, oprimido país africano onde a mortalidade infantil, a miséria, resumindo, as penúrias sociais se fazem presentes em cada rosto.

Para concluir este pensamento, vemos com grande alegria as imagens de nossa infância, adolescência, finalmente tudo aquilo que nos agrada e de alguma forma nos injeta alguma cerotonina, driblando as dificuldades do cotidiano. Como diz o ditado, "relembrar é viver", de fato, porém, sem desligarmos da realidade, das questões que perpassam nossas vidas.

* Roger dos Santos é colaborador do site NetHistória.

* Artigo publicado originalmente no site do NetHistória.